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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

VITÓRIA DE SANTO ANTÃO A BATALHA DAS TABOCAS

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Seis anos após Diogo de Braga ter fundado nosso povoado, exatamente no dia 15 de fevereiro de 1630, os holandeses atacaram Pernambuco. Vinham em busca do açúcar produzido aqui na Província.  Três mil homens, bem armados, desceram na praia de Pau Amarelo e tomaram Olinda, na época capital de Pernambuco.
 Os nativos, aqueles nascidos em Pernambuco, juntos com os portugueses ofereceram desde o início forte resistência aos invasores holandeses. Através de um sistema bem estabelecido de guerrilhas e emboscadas, a população local manteve forte cerco aos invasores.
Para governar Pernambuco a Holanda enviou o Conde Maurício de Nassau. O Conde era um homem inteligente e culto. Ele soube manter um clima de paz e prosperidade em Pernambuco.
Em 1644 Nassau foi obrigado a regressar à Holanda. Seus substitutos não tiveram a mesma capacidade administrativa e desagradaram aos luso-brasileiros. Revoltada, por razões religiosas, financeiras e políticas, nossa gente reiniciou e desta feita com mais vigor, o movimento para expulsar os holandeses. 

Monte das Tabocas: 

 Assumiu a liderança da resistência pernambucana o senhor de engenho, João Fernandes Vieira, então governador de Pernambuco.  Após algumas derrotas, os holandeses resolveram prender o líder da resistência.
Para escapar dos inimigos, João Fernandes Vieira, vivia se escondendo no interior e mudava de esconderijo constantemente.
Em junho de 1645 os holandeses armaram-se e saíram em perseguição a João Fernandes Vieira. Partindo do Recife, eles ingressaram por São Lourenço da Mata, em busca de Vieira, que procurou fugir do inimigo. Mudando sempre de esconderijo, nosso Governador terminou chegando ao Monte das Tabocas, assim chamado, por haver em suas encostas imenso tabocal.
 Refugiado no Monte com seus soldados, João Fernandes Vieira, auxiliado pelo sargento-mor Antônio Dias Cardoso, experiente em guerrilhas de emboscadas, traçou um inteligente e perfeito plano de combate para resistir aos holandeses. 

 A Batalha: 

 Na manhã de três de agosto de 1645 as sentinelas brasileiras anunciaram a aproximação das modernas tropas holandesas, apoiadas pelos índios tapuias. Vieira reuniu seus soldados e a eles se dirigiu em tom resoluto proferindo fortes palavras: “a sorte da nossa causa depende deste primeiro combate”. A causa, era a libertação de Pernambuco.
 Uma hora da tarde do dia 3 de agosto de 1645, deu se a grande batalha. Os luso-brasileiros, usando a tática de emboscadas, atacavam e recuavam, fugiam e investiam, atraindo e empurrando os invasores para dentro do tabocal. Resistindo e ludibriando os holandeses, nossos bravos soldados conseguiram atraí-los em direção ao alto do Monte, onde estava escondido o grosso da tropa, comandado por João Fernandes Vieira. Ferozmente caíram sobre o inimigo e após fortes combates, que duraram até ao anoitecer, nossos soldados conseguiram derrotar o inimigo que aproveitou a escuridão da noite e fugiu apavorado, abandonando armas, munições, feridos e mortos.
 Narra a tradição, que durante os fortes combates, surgiu uma senhora com uma criança no braço, tendo ao lado um ancião barbudo com um cajado e eles, além de alento, forneciam armas aos nossos bravos soldados. De acordo com a crença popular, eram, Nossa Senhora com o Menino Jesus e Santo Antão. Essa mística narrativa, que só a fé justifica, explica a frase: “Em Tabocas, o céu e a terra se uniram para gerar o Brasil”.  

Conclusão final: 

No outro dia ao amanhecer, vendo que o inimigo havia realmente fugido, nossos bravos heróis de joelhos, agradeceram a Deus e à Virgem de Nazaré, e gritaram três vezes em alta voz: ‘Viva a fé de Cristo, e a liberdade. Vitória, vitória, vitória”. E logo o governador João Fernandes Vieira com o chapéu na mão, foi abraçando a todos os capitães e soldados, agradecendo-lhes e louvando-lhes o esforço e a coragem.
Nosso pequeno exército, em formação, constituído de homens descalços, sem armamentos adequados, lutando com amor, de peito aberto, derrotou as bem treinadas e bem armadas tropas holandesas.
A batalha do Monte das Tabocas, foi um marco na campanha da insurreição e sem Tabocas, não haveria Guararapes. Em Tabocas, germinou em nossa gente, o sentimento nativista e de pátria, ali, originou-se o embrião do exército brasileiro. Tabocas, no dizer de Luis da Câmara Cascudo, “anunciava os longínquos Guararapes no batismo do sangue valente”. 
A luta contra os holandeses durou ainda, nove anos, terminando com as batalhas do Monte Guararapes, onde foram definitivamente derrotados
               

Um comentário:

  1. Foi a fé que uniu o povo brasileiro pela primeira vez contra os abusos dos calvinistas holandeses, que invadiam igrejas e mtavam fiéis e sacerdotes. Pela primeira vez o povo brasileiro se uniu de norte a sul e nasceu o sentimento de nacionalidade. Parabéns pelo artigo!

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