Em uma manhã de quarta-feira no dia 24 de janeiro de 1996 estava eu na casa de minha avó materna quando por volta das 10:00 horas daquele dia ensolarado recebemos a notícia de que meu primo havia sofrido um acidente.
Até aquele momento não sabíamos da gravidade da situação. De certa forma, minha prima que estava comigo além da minha avó, mantermos o controle da situação e agimos como se nada demais havia acontecido. De que seria um simples acidente habitual o qual ele se recuperaria.
Mas a verdade é que ele havia caído do telhado de um galpão de fábrica a uma grande altura. No chão não havia nada para amortecer o impacto além do piso de cimento. Também não havia ninguém por perto no momento do ocorrido, pois ele estava sozinho, e decidiu naquela manhã sem avisar a ninguém ir sozinho e terminar aquele trabalho de limpeza no telhado - foi um erro, um descuido, ou o destino? O fato é que não se sabia exatamente o momento em que ele cairá e que ele só havia encontrado inconsciente na metade daquela manhã. O seu estado era gravíssimo," Júnior está em estado grave", informou minha prima em voz baixa porém assustada. Ela não queria que a minha avó escutasse.
Ele havia sofrido um forte traumatismo craniano, caindo de cabeça direto no chão, no local tinha uma poça de sangue.
Então, eu fui para casa passar a informação para minha mãe. José Cosme da Silva Júnior, ou apenas "Júnior", como era conhecido, tinha 18 anos e aceitou realizar um serviço o qual havia acertado um valor combinado. Ele queria terminar logo aquele trabalho e receber aquele pagamento para custear seus gastos. Ele iria se apresentar no quartel em Recife em alguns dias. Iria prestar o serviço militar obrigatório na capital em Recife. Mas, infelizmente, o destino reservou outro caminho.
Hoje, faz exatamente trinta anos daquele ocorrido, e, apesar de eu com meus quinze anos na época não ter uma intimidade tão próxima dele eu sinto até hoje aquele momento tão inesperado e que me chocou profundamente.
Hoje, ele estaria com quase cinquenta anos, mas infelizmente teve sua juventude interrompida de forma tão abrupta e violenta.
Às vezes, fico imaginando que se ele tivesse sobrevivido, mesmo que inválido, ou se de alguma forma, não tivesse ocorrido o acidente. Quantas decisões futuras e o destino teriam tomado rumos diferentes em uma janela de tempo alternativa. Tanto para ele como para sua família e das pessoas em sua volta?
Já se passaram 30 anos, mas a verdade é que hoje ele descansa no cemitério São João Batista, em uma pequena cidade do interior de Limoeiro em Pernambuco.


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