A celebração relembra o movimento que, há 209 anos, proclamou uma república no estado e se tornou um dos episódios mais emblemáticos da história política pernambucana.
A escolha do 6 de março remete ao dia em que lideranças locais romperam oficialmente com a Coroa portuguesa e anunciaram, no Recife, a formação de um governo próprio. O episódio é apontado por historiadores como a primeira experiência brasileira de tomada efetiva de poder por um movimento anticolonial, ainda que por tempo limitado.
A chamada Revolução Pernambucana foi resultado da combinação entre ideias iluministas e a insatisfação com o domínio português. Civis, militares e religiosos participaram da articulação que levou à deposição do então governador da província, enviado ao Rio de Janeiro após a vitória inicial do movimento.
No dia seguinte à proclamação, foi formado um governo provisório composto por representantes de diferentes grupos sociais, como comerciantes, militares, membros do clero, magistrados e senhores de engenho. O novo regime chegou a contar com apoio no Rio Grande do Norte, na Paraíba e em parte do Ceará.
Por 75 dias Pernambuco e essas províncias vizinhas foram um país independente. Com bandeira, com uma lei orgânica que procurava organizar esse novo estado soberano, com um representante diplomático nos Estados Unidos, com medidas que visavam baratear a comida, diminuir o problema da defasagem dos salários e dos soldos e diminuir a carga tributária.
A reação da Coroa portuguesa foi mais forte que a resistência local. Em 19 de maio de 1817, o movimento foi sufocado. Centenas de envolvidos foram presos, líderes acabaram executados e, como punição, a comarca de Alagoas foi desmembrada de Pernambuco.


